Período preparatório específico – Semana 1
No Passado fim de semana iniciámos os treinos na estrada. Entramos num dos períodos cruciais da temporada. O período preparatório específico resume-se á preparação feita em bicicleta para a temporada que se avisinha. A grande novidade face ao ano anterior é o facto de eu ir com eles na bicicleta!
Que saudades que tinha desta sensação!
Comentários á parte, esta nova forma de treinar permite-me melhorar substancialmente a qualidade dos feedbacks durante o treino. Consigo facilmente interpelar um erro técnico rapidamente, ao passo que na carrinha não consigo fazer isso da mesma forma.
Decidi criar progressões pedagógicas, algo que ano passado apenas comecei a fazer a meio do período preparatório específico, e que notei resultados. Tinha pensado inicialmente fazer um treino muito básico com incidência sobre a pedalada em cadências elevadas, o posicionamento das mão no guiador, e algumas regras de condução em grupo. No entanto, rapidamente verifiquei que tive de acrescentar outro feedback, o do acoplamento á roda do ciclista que o antecede.
É impossível pedir aos ciclistas para realizarem os dois primeiros conteúdos técnicos, sem que o grupo permaneça num bloco compacto. Primeiro porque dificulta a própria aprendizagem, e também dificulta as indicações da minha parte. Neste sentido, e explicando de uma forma mais simples para que percebam, acabei por dar mais orientações do que aquelas que previ, pois as circunstâncias assim o exigiram. No entanto, acabaram por não ser demasiados conteúdos, porque no fundo todos se interligam.
Ao nível da questão da utilização da bicicleta cumprindo o código da estrada em si (e não só), treinamos questões importantes como:
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Como abordar um cruzamento (semáforo) e uma rotunda;
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Como conduzir correctamente sinalizando as manobras, e os obstáculos no percurso;
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Regras de segurança basilares para pedalar em grupo (impedir o excesso de uso dos travões para não prejudicar a organização e a aerodinâmica do grupo)
No que toca a conteúdos pedagógicos da aprendizagem, incidimos sobre:
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Aerodinâmica individual através da posição na bicicleta;
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Pedalagem com cadências elevadas para criar um automatismo de poupança energética;
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Aerodinâmica coletiva através do acoplamento á roda do ciclista da frente;
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Andamento em fila indiana e serpenteado para fazer com que o grupo esteja sempre compacto.
Fiquei surpreendido com o primeiro treino, pois bastou dar os feedbacks em cima deles, e rapidamente aprenderam a seguir na roda e deixar de travar tão bruscamente. A ajuda dos ciclistas mais velhos também foi muito importante para que os novos ciclistas aprendessem rapidamente o que tinham de fazer. Em menos de uma hora e meia de treino a diferença entre o início e o final do exercício era astronómica! (No sentido positivo).
O ambiente no grupo também é propício para que se desinibam rapidamente e interajam facilmente sem criar atritos.
Quem me surpreendeu mais foi sem dúvida o nosso miúdo mais novo, infantil com apenas 11 anos, o António pegou de estaca e demonstrou um á vontade enorme em cima da bicicleta. Além disso, o Pedro Teixeira, juvenil, embora respondão, acabou por ouvir o que lhe disse e rapidamente evoluiu para um patamar bem interessante tecnicamente, quebrando aquele gelo inicial. Nota positiva também para o Pedro Matos que me surpreendeu muito pela sua vontade em aprender, embora revele ainda algumas limitações psicomotoras mas penso que tem muita vontade e demonstra efectivamente muito querer em melhorar-se e isso é muito bom!
Tudo isto se passou no 1º treino no Sábado. No Domingo, foi muito mais fácil iniciar o treino pois a maioria já dominava os conceitos básicos que aprenderam no dia anterior. Apenas tive de me focar mais nos que tinham faltado no dia anterior. Tão rápida foi a evolução do grupo que senti a necessidade de criar um novo estímulo. Esse novo estímulo foi:
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Formação ordenada em fila dupla
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Rendição paralela pelo lado de fora
A evolução foi deveras rápida pois estes conteúdos são muito difíceis de implementar nos primeiros treinos da época, principalmente se muitos dos atletas forem novos.
Para terminar resta apenas dizer que penso que as questões mais importantes que contribuem para esta enorme evolução são:
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A coesão que o grupo apresenta, fruto da fase anterior da preparação;
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O facto de treinarmos numa fase inicial num circuito muito pequeno, com duas vias em cada sentido e com pouco ou nenhum transito, que facilitou a organização do treino e a rápida adaptação dos novos ciclistas;
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E a dedicação apresentada pelos responsáveis da equipa e sobretudo pelos pais dos atletas, que tem sido fundamentais para que as coisas estejam a correr bem.
Com isto, termino este já extenso resumo dos últimos 2 treinos. Com muito gosto escrevo este texto pois sinto que as coisas funcionaram extremamente bem. Agora durante a semana vamos aproveitar as férias escolares para melhorar estas questões, para quando partirmos para os treinos na estrada mais a sério, já não haver preocupações com o andamento em grupo.
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