O período de transição – também conhecido por “defeso”
Convém não esquecer que a pré-época, para ser bem conseguida, deve ser antecedida de um período de descanso de qualidade, normalmente na gíria designa-se como o “defeso”, na prática chama-se período de transição ou período transitório.
Esse período de transição deve ser planeado de acordo com a temporada de cada um. Não há fórmulas certas a seguir. Cada um faz a sua planificação e neste tipo de trabalho, e há imensas formas de jogar com os períodos. Eu pessoalmente gosto de trabalhar com a paragem total da bicicleta em período transitório, optando por modalidades que nada tenham a ver com o ciclismo, reduzindo a frequência, volume, e intensidade do treino para metade ou até mais. No entanto outros profissionais não optam por essa via, preferem manter alguma frequência de treino.
Pessoalmente acho importante um “bom defeso”, e quando digo bom, digo-o no sentido da qualidade (em comportamentos) e não da quantidade (em tempo de paragem). O nosso organismo sofreu um enorme desgaste durante a temporada, e durante esta altura, com a chegada da meia estação, é importante fugir um pouco da antiga rotina. Comer sem preocupações com a dieta, para reabastecer a periferia dos músculos com gordura. Gordura essa que vai ser necessária para queimar durante a época seguinte.
Contudo, mais relevante ainda, considero de maior importância a paragem, não pelo seu efeito fisiológico, mas sim pelo seu efeito psicológico. Os efeitos psicológicos e neurológicos nefastos causados pela modalidade durante uma época, necessitam de ser equilibrados, com actividades prazerosas, e sem imposições ou restrições. Daí que a fuga á dieta e a paragem da bicicleta seja uma óptima forma de libertar a cabeça das confusões. A actividade física de lazer e lúdica surge aqui como um óptimo método de catarse, função principal, no meu entender, deste período.
Quanto tempo deve conter o período transitório na minha preparação anual?
Nada é linear, por isso a resposta a essa pergunta está condicionada ao contexto em que o atleta se encontra. Há várias formas de regular o defeso de acordo ás nossas necessidades, contudo há aspectos aos quais não devemos escapar, ao analisar e planear o nosso período transitório, entre elas, a saber:
-
Dias de competição durante a época, e amplitude temporal entre a primeira e a última competição;
-
Anos de competição do atleta;
-
Evolução física do atleta durante essa mesma época;
-
Nível competitivo em que o mesmo se encontra.
Todos eles vão interferir na escolha do momento e sobretudo do tempo de período transitório a realizar pelo atleta.
É importante também referir ainda que é possível fazer pequenas alterações durante a época, mexendo sobretudo na intensidade e duração do treino. Até há quem utilize a baixa de intensidade e volume a meio da temporada, para depois voltar a um nível superior durante a restante época, e assim terem um período transitório mais curto.
No fundo, o que se deve ter em conta é a planificação anual que é estabelecida. Se esta for feita, será mais fácil depois interpretar o calendário, e gerir da melhor forma possível a questão da periodização do treino. Desta forma todos devem ter consciência de que há muitas formas de chegar ao mesmo objectivo, e acima de tudo, o período de defeso é um dos períodos da temporada mais importantes, (e muitas vezes ignorado ou desprezado) pois vai determinar a evolução de todo o trabalho que foi feito na temporada anterior e o que será feito na temporada seguinte.
Gostar disto:
Be the first to like this artigo.
A pré-época é “só” o período mais importante da temporada, é ali que constróis as bases para todo um ano desportivo. Não são raros os casos de desportistas que por indisponibilidade física saltam essa parte da preparação e têm uma época completamente desastrosa. Isto tanto acontece no ciclismo, futebol, atletismo ou bilhar às três tabelas.
Sim, tens razão, mas desse tema (pré-época propriamente dita) estou a preparar outro post. Esta fala sobretudo na época precisamente anterior a essa. A época do ano em que já não nos apatece treinar e que se faz algum balanço do que fomos. Época onde sobretudo cometemos os excessos a que somos restringidos durante a temporada, e onde ganhamos nova motivação para iniciar uma nova época.
Abraço