Transformações no plantel

Bom dia a todos

O passado fim de semana foi rico em mudanças. Em primeiro lugar a presença de um amigo antigo ciclista que me tem ajudado nestes ultimos tempos, o Paulo Silva. Tem sido uma mais valia a sua presença. Em primeiro lugar porque se torna um 2º capitão de equipa. e Depois pela experiência que tem no ciclismo acaba por ajudar a que os treinos sejam mais organizados. Com a presença dele já conseguimos abordar exercícios do foro tático mais exigentes, pois são 2 a coordenar o grupo, torna-se mais fácil.

A 2ª grande mudança prende-se com a metodologia de treino que adotei. Aproveitei estas semanas em que eles estão de férias e coloquei-lhes muita carga em cima das pernas. Já que não treinam nada de jeito durante a semana toca a carregar agora. Além disso o treino em grupo é muito mais motivante para eles do que se o fizerem individualmente.

Optei por uma semana de carga intensa e uma outra de carga muito reduzida, para que consigam recuperar totalmente.

No que toca á forma como correu, foi taticamente muito proveitoso. Deu para trabalhar alguns aspectos mais de equipa, senti que eles ficaram um pouco mais unidos, e o feedback deles no final do treino também correspondeu.

No que toca a desempenhos individuais, tem me surpreendido o Luís Almeida. Tem mostrado créditos nas subidas e será uma questão de tempo até demonstrar isso nas competições. Precisa apenas de um pouco mais de experiência e perder o medo de andar no pelotão. Normal para quem é estreante.

Esta semana irei proceder a novas alterações na gestão do plantel, para que consiga obter o melhor de todos eles.

Tenho a certeza que vamos conseguir ultrapassar estes momentos mais “fracos” da época desportiva. Conto com todos eles para que essa transformação que pretendo venha a mostrar a muita gente o que o ASC-Real Objetiva tem para mostrar :)

Um abraço,

TT
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Trabalho extra – Intervir no devido tempo

Boa tarde a todos :)
Fazendo uma espécie de resumo de como tem corrido as coisas, Posso dizer que temos passado por fases boas e fases menos boas. Um dos grande problemas com que me tenho deparado é a falta de entrega dos atletas mais velhos. A sua falta de autonomia e dedicação para treinar deixa-me frustrado, pois se há coisa que a mim me irrita, é desleixo e falta de empenho. Falo obviamente dos juniores e cadetes, embora um ou outro caso sejam excepção, sinto muito que estão a desleixar-se. Muitos só treinam se nós marcarmos os mesmos, e não são proactivos ao ponto de o fazer por conta própria. As primeiras competições da época revelaram essa mesma falta de trabalho.
Neste sentido, e por ver as coisas a descambar, decidi intervir, antes que seja tarde. Decidi mudar os procedimentos no seio da equipa. A partir de agora acabaram-se as palmadinhas nas costas, vamos ser mais rigorosos e não tolerar desleixos. Vou aproveitar as férias da páscoa para fazer controlo do peso e das pregas de gordura a todos eles, individualmente. Vou definir quanto peso cada um tem de perder ou manter, em que limite temporal. Quem não cumprir os objetivos que tracei, até á data limite, não irá participar nas provas. Outras medidas irão ser tomadas, contudo ficarão no âmbito interno da equipa.
Ainda assim, há que realçar aspetos positivos. Os mais pequenos estão a dar boa conta de si. Mostram muita motivação e entrega aos treinos. Têm dado uma boa resposta ás solicitações, e vou continuar a incentivá-los para que continuem assim. Já programei toda a temporada dos mais pequenos, tendo em vista a conciliação do BTT com a Estrada. Acho muito importante que eles pratiquem ambas as vertentes, embora seja a estrada a principal. Não só os ajudará no asfeto físico, pelo que se irão tornar mais aptos, como também no aspeto técnico, onde irão ter ganhos na destreza. Quero que eles sejam miudos competitivos, pois noto que têm garra e motivação para trabalharem desta forma.
Os seus resultados individuais são um bom indicador da sua condição física atual, e revela que eles fizeram e têm vindo a fazer um ótimo trabalho. Estou muito ansioso por ver o seu comportamento na estrada. Tenho a certeza que vão sair-se bem. :)
Em termos globais, penso que o balanço do trabalho da pré-temporada tem sido positivo. Não nos podemos esquecer que a maioria dos ciclistas são estreantes. Os mais antigos são os que estão a dar mau exemplo, mas conto tomar conta da situação, adotando um tipo de liderança mais transformacional, no sentido de mudar o rumo das coisas. É importante que nós estejamos atentos e percebamos quando devemos intervir, e intervir da melhor maneira. Espero que estas novas regras tenham o resultado que espero!
Abraço
TT
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Um fim de semana repleto de evoluções

Bom dia a todos :)
Peço desculpa por não poder postar com a regularidade que desejaria, mas o tempo tem sido muito pouco. Hoje venho fazer-vos um breve apanhado do que foram os treinos deste fim de semana.
Comecemos por sábado, onde apenas juniores e cadetes estiveram presentes. Foi uma enorme surpresa deparar-me com a condição física que eles apresentaram. Fizemos um treino com um percurso de alguma dureza com várias rampas bem duras, pelas zonas de Guimarães e Riba d’ave. O facto de eles estarem bem fisicamente fez com que mais facilmente treinássemos alguns aspectos que considero fundamentais.
Um deles foi a ida ao carro para troca de bidons. Eu sinto que isso era uma lacuna na altura em que eu corria, pois aprendi a ir buscar água apenas nas provas. Acho que essa não é a forma de tornar essa aprendizagem mais eficaz, nem que pelo menos nos treinos se faça uma vez ou outra, para que eles percam aquele “medo” de realizar a tarefa. Assim foi, deleguei essa tarefa a 4 pessoas que nunca o tinham feito. E já deu para perceberem que não é nada do outro mundo, basta apenas saber onde colocar os bidons, e ser rápido a entregar.
Aproveitei a paragem no fim do treino, para lhes dar um feedback muito positivo. Realçar a importância do treino durante a semana, que deu os seus frutos, para lhe fazer ver que é preciso que o continuem a fazer, para que hajam evoluções.
No Domingo, já com os escolas também, fizemos um treino mais a rolar. No entanto, e para criar novos estímulos, decidi introduzir a perseguição a uma fuga. Com um fugitivo tive de coordenar o grupo para manter a fuga controlada. Foi muito difícil gerar boa coordenação, pois o grupo é heterogéneo (escolas, cadetes e juniores no mesmo grupo) e as diferenças de andamentos principalmente nos mais novos fizeram alguma mossa no grupo. Outra dificuldade foi fazer-lhes perceber que o segredo está em manter a distância para o fugitivo, e dessa forma desgastá-lo. Ainda assim conseguimos alguma coordenação no final, em que facilmente gerimos a fuga até alcançarmos o fugitivo. Contudo, quis manter o estímulo e antes de apanharmos o fugitivo pedi a outro ciclista para que mal alcançássemos o fugitivo saltar ele para uma fuga em solitário. Assim aconteceu e tivemos de aumentar o ritmo para o alcançar. Aí acabamos por nos separar pois o ritmo do fugitivo era bem mais forte.
Ficaram retidas ainda assim algumas aprendizagens:
  • Devemos sempre começar este exercício com um fugitivo “fácil” de alcançar;
  • O grupo deve estar previamente consciente da tarefa que terá que fazer, e da forma como terá que fazer;
  • Coordenar um grupo de 15 ciclistas é complicado e convém atribuir funções aos ciclistas mais velhos para ajudarem nessa tarefa, nomeadamente os capitães de equipa.
Deste modo, penso que a inserção de processos tácticos no treino deve ser previamente falada antes de iniciar o exercício. Se possível, os ciclistas devem ter já alguma cultura da modalidade, para perceberem a importância deste exercício. (através do Pro cycling manager, ou de ciclismo na televisão).
Para finalizar, resta-me dizer que espero que eles mantenham o trabalho que iniciaram nesta semana com mais afinco. Realço aqui a entrega de muitos deles, em especial do Miguel Duarte, do Pedro Silva, do Renato Silva, e do Pedro Teixeira. Contudo penso que o atleta do mês de Fevereiro já está decidido. Espera-nos um mês de Março sobretudo de consolidação de processos tácticos, e inclusão de técnicas de corrida importantes, aspectos que irei trabalhar nas próximas semanas. Estamos a um Mês das primeiras competições e ainda temos muito para trabalhar!
Até á próxima,
TT
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Fim de semana do bom e do menos bom

Boa noite.
Mais um fim-de-semana, mais um bloco de 2 treinos. Seguindo as directrizes anteriores, juniores e cadetes ao sábado, e todos os escalões ao domingo.
O treino de sábado ficou marcado por algumas coisas que correram mal. Para começar o longo atraso da maioria dos atletas, situação á qual me deixou muito decepcionado pois demonstra falta de consideração por quem está a espera. Romperam muito largamente os 5 minutos de tolerância e isso para mim é inconcebível.
O problema não terá sido talvez só esse. O facto de eu ter ficado chateado com a situação também me fez obrigá-los a andar mais rápido para nos apanhar, pois eu e mais dois atletas fomos no nosso ritmo.
Mais á frente, mesmo depois de nós nos juntarmos novamente, não houve qualquer vontade por parte deles em prosseguir o treino de forma intensiva como eu pretendia. A certa altura tive de abrandar, esperar pelo grupo para que ficássemos todos juntos, e depois aí sim, recomeçar a motivá-los para o treino que restava. No entanto passado mais alguns quilómetros tentámos intensificar o treino e sem obter qualquer reacção. Posto isto decidi parar o treino e fazer um dos discursos mais coercivos desde que me conheço.
A falta de empenho demonstrada revela desconsideração pelo meu sacrifício em estar ali com eles, além de demonstrar desinteresse pela oportunidade que estão a desperdiçar, pois é nos treinos de equipa que tem de aproveitar para evoluir, se durante a semana não rendem.
Depois de um discurso muito duro, e até algo agressivo, eles perceberam a minha mensagem, e fizeram a parte final do treino da forma que eu pretendia, melhorando substancialmente a qualidade do treino. Nomeadamente no que se refere ao treino na zona da potência aeróbia e na capacidade anaeróbia lática, onde as adaptações poderiam ter sido mais produtivas caso não houvesse esse desleixo.
No final do dia, já de ânimos resfriados ao reflectir sobre o assunto, entendi que me precipitei ao querer que eles fossem alcançar-nos como “fugitivos” pois eu como líder do grupo não os devia ter “abandonado” mas sim estar ao lado deles e motivá-los, e penso que a partir desse momento eles perderam um pouco a motivação pelo treino que estavam a fazer. Não somos perfeitos e os erros servem para aprender. No entanto como aspecto positivo acho que tomei a melhor opção em interromper o treino para lhes dar um grande “raspanete”, pois quando é dado com razão, é sempre bem dado. Fica a nota para próximas oportunidades tentar melhorar e não cometer esse erro.
O treino de Domingo com os escolas foi excelente. Notei significativas melhorias técnicas em todos eles, e penso que consegui acrescentar-lhes alguns aspectos motivacionais, que no meu entender eles estavam a precisar. Gostei muito da prestação muito boa do Dinis e do Pedro. O João  porque nota-se que é um miúdo muito atento e atendeu sempre todos os feedbacks que lhe dei. Acabou por assimilar tudo o que lhe disse e conseguiu superar a minha expectativa. A sua receptividade á aprendizagem entusiasma-me muito, pois adoro quando demonstram interesse em aprender, é sinal que há gosto pelo que fazem! Já em relação ao Pedro que teve uma excelente atitude não só em ter ido ter connosco depois do atraso, como durante a exercitação ter-se empenhado ao máximo. Gostei também do espírito de camaradagem apresentado pelo Sub-capitão da equipa, o Diogo Oliveira. Subiu mais alguns pontos na minha consideração. Gostei também do facto de o próprio ter reconhecido que no dia anterior não tinham sido correctos e que desperdiçaram uma oportunidade para ter um treino de melhor qualidade.
Relativamente a desempenhos físicos propriamente ditos, ainda não vi nada de extraordinário, O Diogo ainda está muito em baixo de forma, e o Miguel Duarte ainda tem também muito para dar. Quanto aos novos não exijo que andem muito, embora exija sempre empenho máximo, e nesse campo, tenho muito que os motivar ainda, pois eles ainda não perceberam que o ciclismo implica sofrimento. Se há coisa que me deixa completamente irritado é a falta de empenho. A minha filosofia é sempre: “Prefiro um atleta com limitações físicas mas que se seja lutador, combativo e esforçado, do que um campeãozinho que não se esforça minimamente para se auto-superar.”
Uma nota final para agradecer mais uma vez (nunca é demais) aos pais dos atletas que nos tem acompanhado nos treinos e tem sido um excelente suporte. Resta ainda dizer que fiz um acordo com o Director Desportivo em que eu ficarei responsável por assumir a equipa de escolas da nova época! Penso que será uma boa oportunidade para mim, pois é importante começar pelos escalões mais baixos, para ir percebendo no fundo a evolução do ciclista ao longo dos seus anos de formação. E ao mesmo tempo, permitir uma melhor evolução pessoal enquanto treinador, pois “para chegar ao topo, tenho de começar pela base”.

 

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Factores condicionantes da força em ciclismo de estrada

A força que o ciclista desenvolve para deslocar-se na bicicleta, é algo fascinante, pela sua complexidade. Sim, leram bem, pela complexidade desta capacidade motora. Nesta modalidade, existem muitos factores que vão determinar a nossa capacidade de produzir força. Em primeiro lugar porque se conduz um veículo, e como tal implica factores mecânicos. Depois porque é realizada ao ar livre, o que implica estar sujeito a condições ambientais. E ainda tem umas características do âmbito da biomecânica que são também elas importantes. Para além claro dos factores morfo-fisiológicos inerentes a qualquer actividade física.
Quando falo em produzir força, não me refiro á potencia que o ciclista desenvolve. Não. Neste texto refiro-me sobretudo á capacidade de superar a resistência da bicicleta, do próprio corpo, do ar, do chão, e da gravidade. Claro está que o ciclismo, por ser uma modalidade em que existe velocidade, a potência é o tipo de força rápida mais predominante. Contudo, quando falamos de força, estamos a falar também de potência, pois são directamente interligadas.

Factores condicionantes da força em ciclismo de estrada

•    Morfo-fisiológicos
•    Mecânicos
•    Biomecânicos
•    Condições do terreno
•    Condições climatéricas
•    Força da gravidade

Factores Morfo-fisiológicos

A nossa composição corporal é determinante para aumentar substancialmente a nossa produção de força. Dentro da composição corporal são factores importantes como a quantidade e qualidade da massa muscular magra (tipo de fibra muscular – tipo I, tipo IIa e tipo IIb), a quantidade de peso supérfluo (% massa gorda), assim como do comprimentos dos segmentos (nomeadamente dos membros inferiores). A nível fisiológico temos de considerar capacidade neural dos músculos para produzir força, assim como as reservas de glicogénio dos músculos, entre outros factores.
Exemplo prático:
Um ciclista com menos peso supérfluo, conseguirá produzir mais força do que com mais massa gorda (%), pois terá que suportar uma resistência menor face ao seu próprio corpo.

Factores Mecânicos

Dentro dos factores mecânicos, incluem-se aspectos mais directamente relacionados com a bicicleta. O tipo de material utilizado vai ter influência de duas formas. No peso do conjunto bicicleta+ciclista, e no arrasto. Esse arrasto pode ser devido a atritos directamente relacionados com os componentes mecânicos da bicicleta (pneus mais ou menos aderentes, transmissão desafinada, cabos de travão sem lubrificação, empeno da roda, etc). Dentro desta variável, a forma como a podemos alterar é mantendo a bicicleta em bom estado, fazendo sempre uma boa manutenção e fazer utilização correta da transmissão principalmente.
Exemplo prático:
Uma bicicleta toda afinada e lubrificada, produz menos atrito que uma bicicleta com problemas mecânicos. Logo este factor vai influenciar a força que o ciclista terá que desenvolver para “arrastar” a bicicleta.

Factores biomecânicos

Estão directamente relacionados com a capacidade de aspiração do ar, quer de forma individual, quer de forma colectiva através da técnica do gesto desportivo. De forma individual quando falamos da posição que este adopta na bicicleta. Colectiva na forma como este aproveita a aspiração do ar para diminuir o atrito. Está também directamente relacionado com factores de ordem mecânica, nomeadamente dos componentes da bicicleta e do equipamento do ciclista, que vão influenciar a área de contacto com o ar, na sua horizontalidade.
Exemplos práticos:
Uma bicicleta toda equipada com material mais aerodinâmico, fará com que o atrito criado seja menor. Logo diminui a quantidade de força que temos de aplicar.
Um ciclista tecnicamente evoluído, que sabe aproveitar as potencialidades da técnica individual e colectiva, não necessita de produzir tanta força, pois serve-se da aspiração do ar para reduzir o seu esforço.

Condições do piso

O tipo de piso que a bicicleta percorre determina também a força aplicada. Quanto mais irregular for o piso, maior dificuldade terá a bicicleta de se deslocar, e por conseguinte, mais força terá que ser aplicada para mover a bicicleta. Não é ao acaso que em zonas de paralelo ou pavé a potência produzida pelos ciclistas é muito influenciada pela força, em detrimento duma diminuição da cadência.
Exemplo prático:
Um ciclista num terreno com paralelo terá muita dificuldade em progredir pois irregularidades farão com que a bicicleta pare mais rápido em relação a um piso asfaltado. Assim para que a mesma ande mais rápido precisa de produzir muito mais força.

Condições climatéricas

Este é sem dúvida um factor muito predominante no ciclismo. O facto de o vento estar com mais ou menos intensidade, vai determinar logo a maior ou menor necessidade de produzir força, pois o deslocamento no ar depende disso, quanto maior for a velocidade de arrastamento. A temperatura ambiente será também um factor a ter em conta, no entanto, com menor impacto na produção de força. De qualquer forma, e não menos importante, um músculo tem um gasto energético mais acentuado em temperaturas frias, pois para além do movimento propriamente dito, o gasto energético é também de carácter térmico, o que faz com que a disponibilidade de energia seja menor, e a produção de força seja reduzida.
Exemplo prático:
Conduzir a bicicleta com um vento de frente irá dificultar muito a progressão, e consequentemente a produção de força terá que aumentar, para manter uma velocidade equivalente a uma condição de vento fraco.

Força da gravidade

Este é o factor mais determinante, e que mais condiciona a produção de força num ciclista. A força da gravidade vai determinar que um corpo, perante uma inclinação, sofra um aumento significativo da resistência criada, e desta forma o peso do conjunto atleta+bicicleta será determinante. A percentagem de inclinação da estrada vai determinar o impacto dessa mesma força da gravidade. Quanto maior for a inclinação, maior a sua influência, quer a descer, quer a subir. Perante este facto, a produção de força aumenta substancialmente numa zona inclinada, e diminui significativamente numa zona declinada.
Exemplo prático:
Um ciclista com 60kg terá em teoria mais vantagem numa subida (partindo do principio de que são atletas treinados), perante um ciclista com 80kg. Seria como ter que subir a pé uma montanha com uma mochila de 20kg nas costas… uma diferença muito grande!
Em forma de síntese, podemos afirmar que a força depende sempre da resistência. Quanto mais pequena ela for, melhor o ciclista consegue produzir força. Essa resistência é influenciada por todos estes factores, contudo nem todos eles estão ao nosso alcance modificar.

“O objetivo do ciclismo é, e será sempre diminuir a resistência. Quanto mais o conseguirmos fazer, menos potência vamos precisar de aplicar, e por conseguinte mais tempo vamos conseguir aguentar determinado esforço.

Enquanto que nós podemos trabalhar os factores fisiológicos, mecânicos e biomecânicos, para melhorar o nosso rendimento, já os factores do piso, clima, e orografia não podemos alterar, sendo desta forma uma conjugação de factores que torna esta modalidade tão complexa, e ao mesmo tempo também, muito aleatória.
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Fim de semana de melhorias

Boa noite a todos!
Este fim de semana foi muito bom em termos de evolução do treino. Em vários aspetos. Não só se notou melhorias na condição física de alguns, como melhorias a nível técnico. Notaram-se também melhorias no espírito de equipa, que é igualmente importante.
Comecemos por Sábado. O treino foi programado apenas para juniores e cadetes. Foi pautado por uma boa organização, e por um aumento da intensidade. De que forma? Escolha de um percurso mais longo, e acidentado, que obrigava a que todos mantivessem o grupo compacto para não perder o embalo gerado nas descidas. A este factor, acrescentou-se a motivação do dia. A criação de “metas volantes” e “prémios de montanha” para aguçar um pouco as capacidades físicas.
Tem sido excelente esta iniciativa, e está a ter resultados muito bons, por vários motivos:
•    Os atletas sentem-se motivados e aguçam o espírito competitivo;
•    Verifica-se a condição física de cada um deles, e consequentes evoluções ou regressões, vendo quem tem treinado e quem se tem desleixado durante a semana;
•    Proporciona a adaptação fisiológica que quero, treinando sobretudo acima do limiar anaeróbio, de forma intervalada!
Eles têm dado um feedback muito positivo á forma como temos vindo a treinar, e isso tem sido bom pois motiva-me ainda mais para que assim continue! Além do mais este tipo de treinos quando transborda motivação geral, gera-se um maior entrosamento entre todos.
Este treino serviu ainda para dar alguns feedbacks negativos de como há atitudes que não se podem ter nos treinos. É importante que eles saibam que existem regras, e que existe uma filosofia de ciclista que deve ser seguida SEMPRE.
No Domingo, já com os escolas, o percurso foi o mesmo da semana passada. Notei uma melhor técnica colectiva, e fiquei surpreendido com alguns dos elementos quando lhes foi pedido para fazer “meio-fundo”. Neste treino para quebrar um pouco a monotonia e motivar mais o grupo, decidi dar uma pequena introdução sobre como se deve perseguir um fugitivo. O exercício foi um sucesso, e senti muitos aspectos positivos:
•    Os atletas aprenderam que o segredo de uma perseguição bem sucedida é desgastar o fugitivo, mantendo uma distância suficiente para o conseguir alcançar quando este já estiver mais desgastado;
•    Motivei o atleta em questão (fugitivo) pois ele elevou um pouco mais a sua autoconfiança ao conseguir andar em fuga durante cerca de 10 quilómetros num percurso exigente, coisa que nunca tinha conseguido fazer;
•    Senti que os atletas entre eles começavam a puxar uns pelos outros no sentido de manter o grupo coeso para a perseguição ser bem sucedida;
•    Apercebi-me que este tipo de exercício faz com que os atletas que perseguem se transcendam e percebam que afinal são capazes, saindo da sua zona de conforto;
•    Percebi ainda que eles aprendem muito mais facilmente a perseguir, indo eu com eles na bicicleta e exemplificando, do que quando ia na carrinha atrás deles;
•    E o mais importante, trabalham num patamar muito próximo do limiar anaeróbio, potenciando um excelente trabalho aeróbio.
Notas finais:
Gostei de ver a excelente cooperação e espírito de entreajuda dos mais velhos para com os menos experientes, nomeadamente o Samuel e o Miki. De acrescentar ainda que quem me continua a surpreender de dia para dia, é o António Ferreira, que demonstra um á vontade tão grande na bicicleta.
Vi uma boa evolução do Renato Pinto e do Pedro Matos, que está a evoluir sobretudo mentalmente. Já não desiste tão facilmente, sofre mais um pouco quando é preciso, e nunca descansa até encostar ao grupo quando está atrasado, sendo um exemplo da atitude correcta que eu quero nos meus atletas!
Tenho gostado também de ver A evolução física do Miki, do Miguel Duarte e do Samuel. Este último tem-me surpreendido pela positiva pois tem relevado uma atitude diferente, e muito mais aplicado! Temos aqui um candidato a atleta do mês!
Com tantas evoluções a ocorrerem ao mesmo tempo, e não menos importante, noto que a minha condição física também está a melhorar, e isso é importante pois o treinador tem de dar o exemplo, e até ver, está a ter sucesso. :D
Até para a semana!
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Semana de adaptação á estrada

Boa noite a todos :)
Neste fim-de-semana começamos os treinos mais a sério na estrada. Até aqui, tinha-mos feito uma pequena introdução á técnica de andamento em grupo, para que eles percebam as bases técnicas e algumas normas de segurança. Assim sendo estes novos treinos foram uma passagem daquilo que aprenderam, para a estrada propriamente dita (isto é, com transito, e todos os obstáculos e riscos que esta acarreta).
Optei por fazer o mesmo percurso no sábado e no Domingo, com a diferença de que nos dois dias tive um número bem diferente de ciclistas. Sábado éramos 9 (apenas cadetes e juniores), domingo éramos 13 (incluindo os escolas).
O treino de Sábado desenrolou-se muito bem. Sempre organizados, fazendo rendição em fila dupla no plano e nas descidas, e fazendo formação ordenada em fila dupla nas subidas, para o grupo não se alongar muito. Os feedbacks já foram menos intensos, os atletas souberam gerir bem a sua própria posição ao longo de todo o treino, sem partir muito o grupo. Decidi fazer a maioria do treino em rendição em fila dupla, por várias razões:
  • O treino desenrola-se mais rápido e sem interrupções;
  • O grupo rola mais compacto e sem dispersões no espaço;
  • Há mais homogeneidade entre os atletas pois é um ritmo a que todos conseguem ir;
  • Aumenta os índices de atenção, pois exige concentração constante, o que no fundo será o que eles vão encontrar nas corridas.
No entanto penso que poderei optar por numa fase inicial fazer formação ordenada em fila dupla com rendição para fora e de forma mais lenta, para se ambientarem ao grupo primeiro, e fomentar um melhor aquecimento. Este tipo de formação é para mim o ideal para os ritmos iniciais do treino, assim como na parte final, onde a velocidade é mais reduzida.
Optei ainda por colocar um aspecto motivador, uns prémios de montanha para haver alguma motivação extra. Isto é no fundo também uma forma de ir vendo como eles estão fisicamente, e de mostrarem-me (os mais novos) em que tipos de características se destacam mais.
O treino de domingo, contou com uma cara nova! Mais um juvenil, o João Dinis quis vir experimentar a estrada. Parace-me um miudo com capacidades interessantes. Esteve um pouco “encolhido” mas é o normal visto ser o seu primeiro contacto com a equipa. Á parte disso, tentei que o treino fosse novamente organizado como no dia anterior. No entanto, os miúdos mais novos destoaram muito a organização, não em termos de ritmo, mas sim em termos de técnica. Demoramos algum tempo até encontrar a consistência que precisávamos. Mas conseguimos chegar lá, e isso foi muito importante!
Deparei-me desta vez com o problema da comunicação, pois éramos 13 ciclistas e quando havia muita distância era difícil eu fazer-me ouvir. Inclusive parei o treino uma vez para dar um feedback mais assertivo, pois não estavam a ouvir nada do que eu estava a dizer.
Outra das questões que não ajudou, foi o facto de os mais velhos se entusiasmarem demasiado com as “fictícias” metas volantes, que acabaram por na parte final baralhar a organização por completo. Deste modo irei optar por atribuir essa motivação apenas nos treinos de cadetes e juniores (que serão os treinos mais duros).
Com tantas aprendizagens a ocorrerem ao mesmo tempo, quer da parte deles enquanto ciclistas, quer minhas enquanto treinador, acho que a cada dia a evolução será maior, e o processo ensino-aprendizagem decorrerá da melhor maneira possível.
Gostava ainda de deixar um último comentário de apreço aos pais dos atletas (nomeadamente dos mais novos) que têm sido 5 estrelas no acompanhamento aos seus pupilos!
Até para a semana.
TT
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